Capital de giro: o que é e como calcular?

Por Miriam Barros

Se você é um empreendedor ou deseja ser, eis o fato: saber o que é capital de giro e a sua utilidade é imprescindível para fazer seu negócio fluir.

Isso independe do tamanho da empresa, visto que o capital de giro faz parte dos recursos necessários para cuidar da saúde financeira de qualquer empreendimento.

Toda empresa possui operações internas que, inevitavelmente, exigem recursos financeiros para que possam acontecer.

O capital de giro é, justamente, o capital necessário para realizar estas operações.

Imagine, por exemplo, que um cliente deseja dividir uma compra em 12x. A cada mês, o valor destas parcelas será pago, mas é necessário possuir recursos para o financiamento destas compras.

A venda parcelada representa um dos diversos casos em que a empresa necessita de capital de giro para manter suas operações.

Um exemplo: se um cliente realizou uma compra a prazo no mês de agosto e a empresa só vai receber o valor em outubro, é necessário que exista capital de giro para o mês de setembro, garantindo que todas as despesas sejam pagas em dia (o que evita possíveis multas, que afetam este recurso).

Ou seja, o capital de giro não é o mesmo que o investimento fixo, pois este último está relacionado a todo o investimento inicial na estrutura da empresa (e cada empresa possui um valor específico, pois este envolve equipamentos, máquinas, imóvel etc).

Podemos comparar ele com uma economia reserva, um banco pessoal que você retira "empréstimos" até que estas quantias sejam, de fato, pagas.

Este recurso é necessário para, por exemplo, manter os estoques da empresa, comprar matéria-prima e mercadorias com fornecedores, pagar salários, impostos e diversas outras despesas operacionais.

Empresas que organizam suas operações baseadas no conceito de sazonalidade também são extremamente reféns do capital de giro.

Isso porque estes empreendimentos possuem períodos exatos de grande movimentação financeira e passam a vender mais em algumas épocas do que em outras.

O capital de giro, neste caso, é importante para manter o equilíbrio financeiro da empresa em períodos de baixa venda, nos quais a possibilidade de não atingir metas de saída de produtos são maiores.

Neste cenário ele serve, portanto, para compensar a diferença entre períodos destoantes e garantir o pagamento de todos os processos do negócio.

Em resumo, o capital de giro é o capital necessário para pagar todas as despesas financeiras que movimentam as operações diárias da empresa. Estas despesas podem ser fixas ou variáveis.

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A partir disso, podemos tirar algumas conclusões em relação ao capital de giro:

  • Empresas que possuem estoque de matéria-prima ou mercadorias para revenda precisam de capital para financiar estas compras;
  • Empresas que possuem prazos para pagar despezas de energia, salários, impostos, manutenção e outros gastos, tem estes custos financiados pelos fornecedores destes serviços;
  • Os fornecedores financiam parte do estoque (ou ele todo) para empresas que compram matéria-prima e mercadorias a prazo;
  • Empresas que trabalham com vendas parceladas ou a prazo, precisam de capital para financiar seus clientes.

Por isso, agora você sabe: em algumas situações, a empresa precisa oferecer recursos e, em outras, a empresa precisa obter recursos para o financiamento de seu capital de giro.

Para compreender o real significado do capital de giro, basta pensar na necessidade dele.

A quantidade necessária de capital de giro é justamente a quantia que a empresa precisa ter para financiar todas as operações que compõem o seu funcionamento, dentro dos prazos de vencimento estipulados.

Essa necessidade, portanto, representa a diferença entre os recursos que são aplicados pela empresa (contas a receceber de clientes, compra de matéria-prima, mercadorias, estoque de produtos) menos o financiamento do capital de giro (recursos que a empresa consegue para financiá-lo fornecedores de matéria-prima, impostos e despesas a pagar).

Apesar de ser de extrema importância para a manutenção da saúde financeira da empresa, muitos empresários desconhecem ou não dão a devida atenção ao capital de giro.

O Sebrae-SP divulgou uma pesquisa que reflete essa realidade: 24,4% das novas empresas não sobrevivem por mais de um ano. Nos 40 primeiros anos, o percentual de empresas que fecham as portas sobe para 50%.

De acordo com a pesquisa, três das seis principais causas de falência nascem das ações do próprio empresário, que não cuida adequadamente da saúde financeira do seu empreendimento.

E, como sabemos, o capital de giro faz parte dos principais elementos que integram uma boa administração da saúde financeira de uma empresa. Portanto, ele não pode ser ignorado.

Quando negligenciado, a má administração do capital de giro pode acarretar em pendências com pagamentos, falta de recursos financeiros em momentos que estes são necessários e a consequência, muitas vezes, é o endividamento do empresário com empréstimos e outros serviços que normalmente possuem taxas abusivas.

planilha capital de giro

Ciclo operacional, ciclo financeiro e capital de giro na prática

Para entender o momento em que o capital de giro se apresenta necessário, vamos te explicar o que é ciclo operacional e ciclo financeiro.

O ciclo operacional representa o tempo que é gasto na execução das operações da empresa até o momento em que as vendas serão recebidas.

Estas operações incluem a compra da matéria prima, negociação com os fornecedores, gestão de estoque, a produção do produto (caso seja de manufatura própria), a venda e o recebimento dela.

Observe na figura a seguir: dentro do ciclo operacional da empresa, foram compradas mercadorias que foram pagas 40 dias após as compras.

Já o estoque, a venda e o recebimento pela venda aconteceu em 60 dias.

 CicloOP 

O conceito de ciclo financeiro representa o intervalo de tempo entre todos os acontecimentos do ciclo operacional do empreendimento.

De acordo com a figura a seguir, perceba que existiram dois momentos no ciclo financeiro: o capital gasto para pagar o fornecedor e o recebimento das vendas efetuadas. O intervalo, neste caso, foi de 20 dias.

 

CicloFIN-1

 

É justamente nestes 20 dias que a empresa necessita de capital de giro para se manter.

Ou seja, nestes 20 dias a empresa em questão precisou de capital de giro para manter suas operações em pleno funcionamento.

A ausência deste capital de giro resulta em ações de emergência que podem se tornar uma dor de cabeça futura para o empreendedor como, por exemplo, a realização de um empréstimo bancário.

O ideal é que este tipo de serviço seja evitado o máximo possível. Portanto, as decisões de compra e venda e gestão de estoque devem ser tomadas com muita precaução e cuidado.

Afinal, dependendo do tamanho do prazo e da quantidade de parcelas oferecidas por sua loja, mais capital será necessário para manter suas operações até que você receba por estas vendas.

É importante ressaltar que existem casos em que a saída de recursos com fornecedores pode acontecer logo após a entrada dos recebimentos das vendas e, muitas vezes, resultar na sobra destes recursos.

Parece um cenário incrível, mas acredite: muitos gestores e empreendedores acabam se confundindo nestes momentos e criando a falsa ideia de que existe muito capital sobrando no caixa da empresa.

Isso pode resultar em investimentos que não foram bem planejados ou gastos diversos. Mas e quando chegar o momento de pagar os fornecedores, será que existirá capital suficiente para sanar este gasto?

Por isso, o acompanhamento de perto das movimentações financeiras da empresa é essencial para que os gestores e empreendedores possam ter uma visão sólida do que de fato está acontecendo no negócio.

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Por que o capital de giro é tão importante?

Algumas empresas possuem um acompanhamento e cuidado da saúde financeira muito eficazes.

Estas empresas costumam operar com um capital de giro alto, ou ao menos bem alinhado com os custos de suas operações internas.

Porém, existem empresas que operam com capital de giro baixo e as consequências para isso são inúmeras, podendo resultar, em muitos casos, na interrupção de suas atividades e na morte do negócio.

Isto porque a falta de controle e acompanhamento do capital de giro resulta em grandes riscos financeiros, já que algumas despesas acontecem de forma imprevista: equipamentos que necessitam de manutenção, multas, mudanças no mercado etc.

Se uma empresa não está preparada para lidar com estas eventualidades, as chances de sobreviver reduzem bastante.

Podemos concluir, então, que quanto mais alto for o capital de giro, mais tempo uma empresa pode manter as suas operações internas mesmo sem receber nada, sem grandes riscos de quebrar.

Em um cenário ideal, uma empresa deveria ter em seu capital de giro 6 vezes mais da quantia necessária para quitar as despesas de um mês. Dessa forma, o capital de giro garante que a empresa possa sobreviver por um semestre, caso não receba nada.

Obviamente que este valor é simbólico, pois se uma empresa não receber nada durante 6 longos meses, "algo de errado não está certo".

Por isso, o capital de giro simboliza uma segurança para a empresa. O ideal é que os gestores encarem este dinheiro como um recurso a ser utilizado em momentos de emergência. Sua quantia deve se manter em equilíbrio e, por isso, este dinheiro deve ser reposto em momentos de bons frutos para a empresa.

Como calcular o capital de giro?

Para calcular o capital de giro, é importante ter conhecimento de dois conceitos básicos: ativos circulantes e passivos circulantes.

Os ativos circulantes são os valores que condizem com as contas a receber, estoque e outros valores que variam de acordo com a área de atuação da empresa.

Estes ativos são gastos que são considerados investimentos. Portanto, enquanto este gasto não retorna como dinheiro para a empresa, ela precisará de mais recursos (capital de giro) para se manter.

Já os passivos circulantes são as despesas da empresa, como o pagamento de fornecedores, contas a pagar, aluguel, impostos, salários etc.

Quanto maiores forem estes valores, menos necessário será o investimento em capital de giro.

Estes dois quadros não são constantes e, por isso, aconselhamos que o cálculo de capital de giro seja feito frequentemente, para que o empreendedor e os gestores tenham uma visão real da empresa.

Agora, chegou a hora de inserir estes conceitos na fórmula de cálculo de capital de giro:

Para chegar ao resultado do Capital de Giro Líquido, é necessário somar os Ativos Circulantes (investimentos) e subtrair os Passivos Circulantes (recursos)

 

CGL = AC (Ativo circulante) - PC (Passivo circulante)

 

É importante lembrar que o contador é um profissional que pode realizar este cálculo e controle para você.

Pronto para ter mais controle do seu capital de giro?

Sabemos que este post trouxe muitas informações mas, se você chegou até aqui, é porque precisava delas. Correto?

Muitas empresas em fase de crescimento ainda pecam em não saber como controlar de fato os seus ativos e passivos financeiros, perdendo o controle principalmente em relação ao seu capital de giro.

Para lidar com momentos inesperados, é preciso fazer antecipações ou empréstimos para sanar o problema.

Sabemos também que ser empreendedor no Brasil não é uma tarefa fácil. As instituições financeiras não costumam facilitar a jornada do empresário e, diante destes serviços, cobram taxas abusivas que acabam se tornando, no futuro, um problema financeiro ainda maior.

Isso pode acarretar, infelizmente, no fechamento das portas da empresa.

Tendo conhecimento deste cenário e unindo nossos objetvos à nossa prática diária, a Confere se uniu à fintechs para possibilitar o acesso dos pequenos e médios empreendedores à taxas mais competitivas e acessíveis de antecipação e capital de giro.

Quer saber mais? #ConfereAi! <3

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