O que é contabilidade criativa

Por Miriam Barros

Contabilidade criativa é um termo novo para muita gente. Ele se refere a, basicamente, um caminho que uma empresa pode tomar para se tornar atrativa diante do mercado acionário.

Para praticar essa modalidade contábil, são criadas algumas estratégias com a finalidade de mascarar alguns números em relatórios contábeis. Isso pode trazer benefícios para a empresa, mas é importante ter consciência de que também existem riscos a correr.

É importante também lembrar que o que é praticado na contabilidade criativa não é ilegal. Na verdade, os profissionais contábeis estudam brechas dentro das normas e na legislação contábil para praticá-la. 

Porém, esse ato de "buscar brechas" pode acabar comprometendo a credibilidade da empresa num futuro incerto. Por isso, é bom ter conhecimento dos possíveis riscos envolvidos na prática.

Fluxo de Caixa Contador

Relatórios "mais ou menos" reais

A contabilidade criativa nada mais é do que uma estratégia voltada para maquiar números da empresa para conseguir financiamentos bancários ou conquistar o olhar de possíveis investidores.

Para praticá-la, a atuação de um contador é extremamente necessária. Quando feita sem o conhecimento adequado, a empresa pode acabar se comprometendo com erros que podem se agravar com o tempo.

A contabilidade permite que seja criado um cenário em que os relatórios financeiros da empresa não representam, de fato, as atividades econômicas empresariais. Isso não quer dizer que dados falsos são apresentados, afinal, para praticar a contabilidade criativa, é necessário seguir as normas e regras contábeis.

Isso pode ser feito a partir do aproveitamento de vantagens existentes nas normas de contabilidade. 

O grande intuito disso é encher os olhos de investidores. Muitos deles, mesmo os mais experientes, acabam se ludibriando com relatórios bem estruturados. Assim, a empresa pode conseguir benefícios e elevar o valor de suas ações.

Porém, já deve dar pra imaginar que essa prática pode trazer sérios riscos para a empresa, né? Afinal, maquiar resultados não parece ser a forma mais justa e correta de atrair investidores.

A curto prazo, pode ser que a empresa realmente se beneficie com essa prática. Mas caso isso se torne uma prática comum, ela pode estar correndo sérios riscos, que podem comprometer até mesmo a continuidade de suas atividades.

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Os riscos reais de praticar a contabilidade criativa

Dependendo do intuito da prática da contabilidade criativa, os resultados podem ser desastrosos para a empresa.

Levando em conta que a prática costuma adulterar informações que são pertinentes à empresa, é importante refletir sobre o que de fato está sendo mascarado. 

Um exemplo disso é quando a prática tem o intuito de fazer com que a empresa deixe de pagar impostos. Ou, também, quando esta busca por um financiamento bancário que não pode de fato arcar e, para isso, apresenta números falsos, diferente da realidade do negócio.

Ao perceber a existência de fraude nesses relatórios, o banco pode, por exemplo, processar a empresa e exigir o valor concedido de volta.

Como, anteriormente, a empresa havia entregue um cenário que é irreal, muito provavelmente ela vai encontrar dificuldades para arcar com essa dívida.

Além disso, sua imagem será certamente prejudicada no mercado, o que vai dificultar para conseguir financiamentos futuros.

Em caso de sonegação de impostos, a atuação da Receita Federal pode fazer com que a empresa tenha que, além de pagar o que deve, arcar com multa por sonegação, o que também pode causar rombos financeiros grandes para a empresa. 

A depender da gravidade em relação à alteração dos números expostos, o responsável pode, também, ser preso. 

E agora, você se pergunta: então a contabilidade criativa não deve nunca ser feita?

A resposta é: existem formas de praticá-la sem prejudicar o negócio e agir dentro da lei. Vamos ao próximo tópico.

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Como praticar contabilidade criativa sem correr riscos

Primeiramente é importante deixar claro que essa prática deve ser exercida apenas por contadores experientes, com o apoio e confiança de seus contratantes.

Normalmente é uma prática que pode auxiliar em momentos plausíveis para se planejar o futuro da empresa.

Em casos assim, o contador entra em ação para trazer formas de apresentar melhor as demonstrações financeiras do negócio, com o intuito de captar recursos de investidores e, consequentemente, auxiliar no crescimento da empresa.

Existem formas de aplicar esse método de forma segura, sem correr riscos. Assim, o contador não compromete a credibilidade da empresa e entrega, além de uma melhor segurança financeira, a confiança de possíveis investidores.

Dito isso, é importante salientar que a contabilidade criativa deve ser uma prática não rotineira: ela precisa se aplicar apenas em alguns casos.

Sua constância pode trazer grandes danos não só para a empresa como também para a imagem do contador que está envolvido com o processo.

O primeiro passo, bastante essencial, é não evitar que crie-se margens que possam levar a processos e multas partindo da Receita Federal: é possível criar a impressão de um cenário melhor para uma empresa em relação a seus investidores.

Isso é muito diferente de, por exemplo, sonegar impostos - que é considerado crime de fato.

Por isso, a contabilidade criativa deve ser aplicada apenas em casos de necessidade e isso não deve ser feito de forma recorrente.

A maquiagem de dados pode ser feita se considerado um curto prazo para a empresa.

Quando falamos de prazos mais longos, essa prática não é recomendada pois fica evidente para os investidores, com o passar do tempo, que está se trabalhando com números irreais.

Por isso, o intuito de utilizar contabilidade criativa deve ser apenas o de arrecadar bons investimentos - e jamais para sonegar impostos.

O resultado pode ser financiamentos com juros reduzidos e, consequentemente, uma melhor economia e capital para futuros investimentos.

É importante lembrar que, ainda que seja uma manobra possível, os benefícios que ela gera são menores do que os possíveis prejuízos.

Para muitas empresas, é possível conseguir financiamentos com juros mais baixos a partir de uma boa relação da empresa com instituições financeiras. Assim, não é necessário utilizar de contabilidade criativa para alcançar certos méritos.

A prática, contudo, pode auxiliar na redução de impostos e na obtenção de vantagens a partir das margens encontradas dentro do âmbito legal.

Assim, é possível aumentar os benefícios da empresa ao mesmo tempo em que se evita aderir a práticas ilegais.

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Afinal, quando a contabilidade criativa é ilegal?

Empresas que apresentem demonstrações contábeis que não estão de acordo com o cenário real de sua atividade econômica já estão praticando uma atividade ilegal.

Porém, para que uma empresa seja considerada criminosa, é necessário um pouco mais do que algumas demonstrações de números. 

Pensando por esse lado, ao praticar a contabilidade criativa, é necessário que os números, mesmo que não sejam totalmente reais, sejam factíveis com a realidade da empresa.

Isso evita que sejam necessárias auditorias contábeis para comprovar certos números e identificar se foram ou não alterados de propósito.

Reiteramos que essa é uma prática que deve ser adotada em casos muito específicos e por alguém com muita experiência e vivência na área. 

O administrador do negócio e o contador responsável devem ser criteriosos na hora de optar, de fato, pela manipulação de alguns números contábeis. E isso NÃO pode se tornar uma rotina.

Lembramos também que sonegar impostos é CRIME e a contabilidade criativa jamais deverá ser utilizada para tal propósito.

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